Brasil e EUA reconhecem Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela

O presidente do Parlamento – de maioria opositora -, Juan Guaidó, se autoproclamou “presidente encarregado da Venezuela” com vistas a uma saída do poder do presidente Nicolás Maduro, ante uma multidão de seguidores em Caracas. “Juro assumir formalmente as competências do Executivo Nacional como o presidente encarregado da Venezuela para conseguir o cessar da usurpação, um governo de transição e ter eleições livres”, manifestou Guaidó da tribuna, com a mão erguida.

Minutos após o anúncio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trumpreconheceu Guaidó como presidente de facto do país e convocou líderes latino-americanos a fazerem o mesmo. Pouco depois, o Brasil, por meio de nota, endossou o líder opositor como presidente interino do país.

O líder parlamentar, um engenheiro industrial de 35 anos, disse estar sustentado pela Constituição. “Irmãos e irmãs: hoje dou o passo com vocês, entendendo que estamos em ditadura”, afirmou, levando a multidão ao delírio.

“Guaidó, amigo, o povo está contigo”, gritava a população, hasteando bandeiras da Venezuela, concentrada em uma via expressa no leste da capital. O presidente do legislativo disse contar com o apoio de grande parte da comunidade internacional, que considera o segundo mandato iniciado por Maduro em 10 de janeiro “ilegítimo”, pois crê que foi reeleito em um pleito fraudulento em maio passado.

“Sabemos que isso não é algo de uma pessoas, sabemos que isso vai ter consequências, sabemos o que é necessário para nos mantermos nas ruas da Venezuela até alcançar a democracia. Não vamos permitir que se desinfle este grande movimento de esperança e força nacional”, garantiu.

Ao final do discurso de Guiadó, jornalistas perguntaram se ele temia ser preso: “Não, tenho medo por nosso povo, que está indo muito mal”, respondeu.

“Temo por nossa gente que está vivendo mal”, afirmou o líder parlamentar, referindo-se à grave crise que castiga o país.

Milhares de manifestantes da oposição vão às ruas do país nesta quarta-feira, em meio à pior crise da história moderna do país petrolífero, que sofre com a escassez de alimentos e medicamentos e com uma hiperinflação que o FMI projeta em 10.000.000% até 2019.

Dezenas de milhares de seguidores de Maduro também marcham nesta quarta-feira em Caracas e outras cidades do país para defender o segundo governo do líder socialista e rejeitar o que consideram um golpe de Estado em curso.

As manifestações foram precedidas por pequenos protestos e motins com saques que deixaram pelo menos cinco mortos.

Você pode gostar...